quinta-feira, 17 de junho de 2010

O outro lado

Quando ela tocou a campainha ele sentiu um calor no coração. 
Olhou-se ao espelho e passou a mão pelos cabelos ainda molhados. Ouviu a porta a abrir e conseguiu perceber a conversa ao longe:
- Olá Francisca! Já não te via há tanto tempo!
- Tens razão, tenho andado isolada do mundo... Enfim, o isolamento acabou e vim convidar-vos para fazer qualquer coisa com sol, finos, caracóis....
- Olha, vamos até à praia daqui a pouco, queres vir? Temos um lugar vago no carro.
- Desde que tenha os meus finos com caracóis...
- Of course! Tens biquini?
- Estão 35ºC à sombra, claro que sim! Vou ver quem está lá em cima então.
Ela estava habituada a fingir o acaso destes encontros. Claro que sabia que estavam para sair, o lugar vago tinha-lhe sido prometido enquanto eles decidiam a viagem nessa manhã! 

Ele ouviu os seus chinelos a subir as escadas e escondeu-se atrás da porta. Quando ela entrou no seu quarto, ele abraçou-a e sussurrou-lhe ao ouvido:
- Estava a ver que tínhamos de sair sem ti...
- Claro, como se conseguisses!
- Estás a desafiar-me?
- Não, nada disso.
Beijaram-se. 
Beijaram.se pelas noites que passaram separados e pelas horas que iam passar sem se poderem tocar. Beijaram-se até ouvirem passos perto do quarto e voltaram a agir como se nada fosse.

A tarde de praia depressa se transformou em noitada na praia com direito a fogueira debaixo das estrelas... Era sempre assim, conseguiam transformar qualquer coisa banal num momento perfeito.

1 comentário:

Rita Graça disse...

Melhor história de sempre. *.*