quarta-feira, 28 de abril de 2010

Um dia,

Um dia, o mais provável é tornares-te num chato, deixares de sair à noite e começares a levar-te demasiado a sério

Nesse dia, vais começar a vestir cinzento e bege, pedir para baixar o volume da música e deixar a tua guitarra a apanhar pó. Vais tornar-te politicamente correcto, socialmente evoluido, economicamente consciente. Vais achar que tens de ir para onde toda a gente vai e assumir que tens de usar fato e gravata todos os dias. Nesse dia, vais deixar de beijar em público, as tuas viagens serão mais vezes no sofá e dormirás menos ao relento. É oficial. Vais entrar na idade do chinelo e deixar de ser quem foste até então. Vais deixar de te sentar ao colo dos amigos e vais esquecer-te de como se faz um Quantos-Queres ou um barco de papel. Vais ficar nervosinho se não trocares de carro de quatro em quatro anos e desatinar se o hotel onde estiveres não te der toalhas para o teu macio e hidratado rosto. Vais tornar-te muito crescido e começar a preocupar-te com tudo e com nada e a não fazer nada porque "vai-se andando" e a vida é mesmo assim. Vais dizer não mais vezes, vais ter mais medo, vais achar que não podesm que não deves, que tens vergonha. Vais ser mais triste. Nesse dia o mais provável é que também deixes de beber refrigerantes. 

Aqui fica uma ideia: Quando esse dia chegar, não lhe fales.

Sumol.

2 comentários:

Beatriz Graça disse...

Eu acho piada ao anúncio. :)

Gonçalo Monteiro disse...

Ler esse texto desse anúncio lembra-me outra música recente muito em voga:

"Anda
Desliga o cabo
Que liga a vida
A esse jogo

(...)

Sai de casa e vem comigo para a rua
Vem, que essa vida que tens
Por mais vidas que tu ganhes
É a tua que mais perde se não vens"

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