terça-feira, 13 de abril de 2010

tic toc




A tarde estava quente, muito quente, não se via ninguém a passear. Ele estava sentado no banco de pedra a olhar para o nada. Era assim que mais gostava de estar: sozinho, a apreciar o silêncio, a tentar camuflar toda a raiva que lhe preenchia o coração. 
Mas o silêncio foi interrompido pelo som de passos arrastados e antes que ele pudesse ameaçar de morte quem ousou intrometer-se no seu momentinho especial, sentiu o seu perfume. Era algo novo, algo que lhe despertava sentimentos diferentes do que estava habituado, algo que lhe provocava um certo desconforto mas que ao mesmo tempo o impedia de se ir embora! À medida que os passos foram ficando mais audíveis o perfume foi ficando mais forte e começou a sentir a respiração do ser que lentamente se aproximava, sentia uma brisa diferente cada vez que ela expirava. Sim, era uma mulher. Só podia ser uma linda mulher!! Começou a adivinhar-lhe o corpo. 
Um sopro de vento quente soltou os longos cabelos loiros que ela tinha numa trança e ele conseguiu vê-los a aparecer por trás do muro alto que os separava. O seu coração encontrou o ritmo do dela e juntos bateram em uníssono. 
Finalmente viu-a.
Viu-lhe a cara, viu-lhe o corpo, viu-lhe a alma... Fixaram os olhos um no outro e ficaram assim durante 10 minutos. De repente ela vira a cara e continua a andar, mais rápido e como se nada fosse.

Ele tinha quase conseguido. 
Tinha quase parado o tempo.

1 comentário:

Carina disse...

Gostei =)