domingo, 7 de março de 2010

A Carta

Querida Francisca,
Odeio-te. Odeio-te de uma maneira que nunca imaginei possível, quero disparar uma arma entre os teus olhos (para acabar definitivamente com esse teu olhar que derrete, confunde e quebra corações) mas secretamente desejo que ela esteja sem balas.
Tu és tudo o que os limites que me impus não me permitem ser e vejo que és preenchida por uma felicidade pura e intensa sempre que decides não lutar contra os teus impulsos. Tu és o outro extremo do que eu não quero ser e no entanto invejo-te quando, qual Cinderela de pernas para o ar, chega a meia noite e pegas na carteira e desligas o telemóvel enquanto sais de casa com o maior sorriso nos lábios. Invejo-te ainda mais quando chegas, naqueles minutos antes do sol nascer em que ainda és tu e sonhas acordada, naqueles instantes antes de seres eu outra vez. Por isso peço-te, amanhã amarra uma ponta duma corda à varanda e a outra ao teu pescoço e atira-te sem pensar duas vezes. Mas será de mais pedir-te que ainda assim não me abandones?

Atenciosamente,
Beatriz


-Que estás a fazer, filha? Já te chamei várias vezes...
-Estava só a escrever à minha outra personalidade, desço já!
-Desculpa, podes repetir?

1 comentário:

Gonçalo Monteiro disse...

Gostei :P

Só pra ficares a saber **