domingo, 1 de novembro de 2009

Ponto (com vírgula)

Meses se passaram desde a última vez que estiveram juntos. Ela sabia que as coisas não estavam iguais mas já se tinha preparado para isso, afinal nunca acreditou num para sempre, muito menos com ele naquela altura. Quando entraram neste jogo os limites que estabeleceram foram honestos e práticos.


Ela viu-o no fundo da sala e ficou à espera que ele a visse. Não sabia bem em que ponto estavam e não queria basear a noite nisso... Ele não demorou a ouvir aquela voz doce e depressa reconheceu aquela maneira de gesticular enquanto fala da felicidade, mesmo de costas é algo inconfundível! Foi ter com ela. Pôs a mão naquela cintura delicada enquanto a cumprimentava e os dois tiveram um pequeno de-jà vú. Uma coisa inofensiva que só originou dois sorrisos discretos.
- Vem, quero que conheças umas pessoas. - pegou na mão dela e atravessaram a sala. Ela conhecia todas as caras mas não tinha nome para nenhuma.
- Francisca, estes são o Júlio, o Marcelo, o Rafael e a Camila.
Conversaram pela noite adentro, dançaram, beberam, conversaram mais um pouco. A sala foi ficando vazia à medida que o sol começava a aparecer e pouco demorou até ficarem apenas os dois. 
- Gostas dela.
- Hum?
- Escusas de tentar negar, vê-se tão bem! Os teus olhos brilham quando falas com ela... 
- Isso é do sono!
- Naa... Brilham de uma maneira diferente...
- Como brilhavam contigo?
- Oh, estou a falar a sério, é diferente!
- Nem por isso, mas afinal não percebeste...
- Desculpa! Pelos vistos continuo sem saber como lidar com o que sinto...
- Só tens de perder o medo em vez de fingires que não o tens. 
- Talvez...
- Vem, eu acompanho-te a casa.


Mais uma vez viram o nascer do sol juntos, mais uma vez ele acompanhou-a a casa, ela tremeu de frio e ele emprestou-lhe o casaco. Mas desta vez os pensamentos estavam longe e nada disto foi premeditado, quando chegaram a casa dela despediram-se com um beijo na bochecha e um "boa-noite" um bocado deslocado. Ela agradeceu a companhia e o casaco e deitou-se ainda a pensar no que ele tinha dito. Decidiu perder o medo de se entregar verdadeiramente da próxima vez, de se sentir frágil e impotente, mas foi tudo mentira... Ela não consegue... Ela não quer.








(um obrigado ao meu afilhado que esclareceu dúvidas que ninguém costuma ter a estas horas da noite)

1 comentário:

disse...

Ainda só não percebi como é que nas tuas histórias não há um Rodrigo que dá tantas negas a gajas boas quantas as que andam atrás dele (arredondado dá umas 74). Até porque na tua experiência de vida conheces um!