Chamem-lhe linda, olhem-na assim em público, e ela finge que se ofende, que lhe falta o ar, que se insurge, que range os dentes, que se ataranta, finge-se ultrajada, e está a ser sincera quando finge, mas não finge de escândalo, é do medo do que se segue ao elogio e ao olhar, o medo de entrar num jogo, medo das convenções, medo do que a mãe vá achar, medo do pai, das colegas, dela própria, medo de dizer não e muito medo de dizer sim, e por isso finge, mas acaso lhe dêem um bilhetinho para a mão e ela acalma, a pulsação desce no pescoço e aumenta nas coronárias, lembra-se dos romances de oitocentos e regressa aos jardins e lagos de colares e versailles, o cenário dos romances, talvez zola e eça tenham falado dela tantos anos antes, e lá fica então, sonhadora, mirando os peixinhos vermelhos a debicar musgo, tão bonita, a nova mulher portuguesa.
Gostei desta parte...
Daqui.
Sem comentários:
Enviar um comentário