sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

História triste

Imaginemos dois jovens, por enquanto as suas vidas são um mistério. Já se tinham cruzado nos corredores mas apenas tinham trocado sorrisos.
Eles falaram-se pela primeira vez num parque banhado de cor-de-rosa, amarelo e verde; era uma bela tarde de primavera. Ela tropeçou numa pedra e ele evitou que ela se magoasse.

- Estás bem? Magoaste-te?
- Sim, está tudo bem, obrigada!
- Tens a erteza?
- Tenho... Sou um bocado desastrada, às vezes passo vergonhas destas!
- Não te procupes com isso! Posso convidar-te para um café? So para esqueceres este episódio. - Juntou o seu sorriso mais charmoso ao convite.
- Aceito. Mas não quero café, a primavera celebra-se com um sumo natural de uma qualquer fruta colorida!
- Gosto da tua maneira de pensar... Chamo-me Pedro, e tu?
- Mafalda.

Ficaram horas a conversar. Quando ela sorria a sua face ganhava um brilho especial e o som do seu riso aquecia a alma de qualquer um, como se estivesse tudo bem e o mundo fosse perfeito.
Foi a primeira tarde que passaram juntos mas também a última. Quando começou a escurecer ele acompanhou-a ao seu quarto, nenhum paciente tinha permissão de estar no jardim à noite, e foi para casa a sentir uma felicidade diferente.

Amanheceu.

O seu turno só começava à tarde mas quis continuar a celebrar a primavera. Antes de ir para o hospital passou no mercado perto de sua casa. O pequeno-almoço daquela ala era servido às 9h, por isso às 8:30h estav a na cozinha a tentar descobrir o tabuleiro do quarto 182. Trocou o sumo de laranja de pacote por sumo de goiaba que ele príprio fez e pousou uma flor de jasmim ao lado do pão torrado. Quando bateu à porta ninguém respopndeu.
"Vou acordá-la com o cheiro do pequeno-almoço", pensou a sorrir. Abriu a porta de mansinho e espreitou. O quarto estava vazio e com a cama impecavelmente feita. Sentiu um aperto no coração e um suor frio a percorrer-lhe o corpo. Não se mexeu durante alguns minutos.
- Pedro, está tudo bem?
Virou-se e viu uma enfermeira sua conhecida.
- Sabes dizer-me onde está a paciente deste quarto?
- Deixa-me ver se tenho aqui a ficha... Mafalda Caetano, hora da morte: 01:47. Foi paragem cardíaca. - Ela reparou na sua expressão de choque - Lamento... Pelo que leio aqui ela já estava muito fraca, já se estava à espera...
- Sim, eu sei. Mas achamos sempre que temos pelo menos mais um dia...

Voltou para casa, deitou-se no sofá e ficou a olhar para o vazio durante algumas horas. Às 15h levantou-se e voltou para o hospital.
"A vida continua", pensou.

1 comentário:

Carina disse...

Linda história mas sem dúvida triste!

P.S. Tenho saudades tuas*