II/II
Ela nunca pensou que ele lesse aquele jornal, mas a verdade é que ele continuava a acompanhar os seus passos, ainda que um pouco mais distante.
Ele entrou na sala onde todos festejavam um qualquer acontecimento feliz e sem se importar com a discrição disse-lhe perto do ouvido:
- Tenho de falar contigo.
- Agora?
- Sim, vamos para o meu quarto.
Ela não hesitou. Quando chegou ao quarto dele viu o jornal em cima da cama, aberto na página que ela escrevera, e de repente sentiu o coração a acelerar. Tentou dizer alguma coisa mas não conseguiu pensar em nada e ele não lhe deu tempo para falar.
- Vais ouvir-me até ao fim. Desculpa ter-te deixado com tantas dúvidas, não foi justo. Se é verdade que me deixaste completamente desnorteado e questionando as minhas certezas, também é verdade que eu não tinha o direito de virar o teu mundo de pernas para o ar. Tinhas 18 anos apenas, eu devia ter pensado melhor. Saí da tua vida sem justificação porque me pareceu a melhor decisão: estavas bem sem mim, pensei eu, e achei melhor não tocar no assunto. Perdoa-me por não ter percebido os teus sinais. Respondendo às tuas perguntas, sim, lembro-me. Lembro-me de te abraçar por uma qualquer razão sem importância só para te sentir e não resistir ao teu perfume, lembro-me de te querer de uma maneira completamente nova e ter medo de o exigir por não ser digno de tal coisa e lembro-me ainda melhor da noite em que percebi que não eras criança nenhuma. Foi aqui que tive mesmo medo. Não voltaste durante demasiado tempo e pensei que te tinha perdido. Não quis arriscar outra vez e parecias tão feliz ao agir como se nada tivesse acontecido que na minha cabeça fazia sentido que a melhor decisão seria deixar-te viver a tua vida sem mim, sem sequer te perguntar nada. Idiota... Estava completamente apaixonado por ti e magoava-me mais pensar que ter-te comigo te fazia mal do que deixar-te ser feliz sem mim. Não sei se alterava alguma coisa se pudesse voltar atrás: eu estou feliz e vê-se a milhas que tu também estás! Mas acho que o mínimo que mereces é um pedido de desculpas e um par de respostas.
Abraçaram-se enquanto prendiam uma lágrima, de alegria ou de tristeza eu não sei, mas sei que conseguiram pôr um ponto final nesta história. Quando voltaram à sala tudo parecia diferente...
2 comentários:
O jornal.
Eu acho que se juntássemos algumas histórias nossas faziamos um livro best seller!
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