quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Rodrigo & Raquel

Quando tinha 15 anos conheceu um rapaz numa das longas caminhadas que todos os dias fazia em direcção à escola. Era um rapaz normal, não chamava demasiado a atenção: falava calmamente, tinha amigos decentes, notas razoáveis, bom aspecto... enfim, já se tinham cruzado muitas vezes mas só nesse dia é que ela reparou nele. Nunca falava nos corredores, só diziam "bom-dia" e "até amanhã" de vez em quando; ela não tinha coragem para mais e ele nem reparava nas vezes que ela corava.
Cresceram.
A sociedade ditou que não podiam ficar juntos.
Encontraram-se.
Ela reparou nos seus olhos. Estavam tão azuis e brilhantes como se lembrava deles. Ele também reparou nos olhos dela, mas para perceber que o corpo que os transportava era agora o de uma mulher.
A simplicidade do "bom-dia" e do "até amanhã" evoluiu para uma conversa que durou a noite inteira; falaram dos últimos anos, de tudo o que tinha mudado, perceberam todas as regras que iam ter de quebrar. Não se importaram. Tudo vale a pena quando a alma não é pequena!
Um mês. Foi um mês que conseguiram resistir. Passado um mês o cérebro perdeu e o coração ganhou.
Foi numa madrugada.
Foi  numa madrugada que ela não fugiu e retribuiu o beijo que ele lhe deu. Foi nesta madrugada que lentamente ele a despiu e a fez sua...
O discurso que se seguiu foi o esperado: entre o "está muito em jogo" e o " não quero que te magoes" também se ouviu o " não te quero perder", mas quem o disse não o sentiu e quem o ouviu não lhe ligou.
Eles não procuram o para sempre, apenas algo bom para o agora.

3 comentários: